Um post sobre relacionamentos amorosos.

1 de ago de 2015


– transcrição livre do texto publicado originalmente por helloelloh.tumblr.com 

Então, eu estou em um relacionamento fazem cinco anos. E sempre vejo vários posts sobre como as pessoas acham que um relacionamento significa sentir borboletas no estômago para sempre, o coração batendo mais rápido quando eles entram no lugar que você está, ou ficar de conchinha toda noite com as pernas entrelaçadas e que vocês são tão felizes em morar juntos que dormiriam até numa cama pequena só pra ficar um do lado do outro todas as noites.

E, na real, não é bem assim. Ao menos não pra mim.

Você para de sentir as borboletas no estômago quando começa a morar junto. Seu coração não acelera mais quando você os vê, pelo contrário, tudo se acalma. Quando você está em um lugar com eles você se sente calmo e, seguro. Quando vocês ficam de conchinha, você sente seu coração batendo lentamente e o som da respiração deles te trás conforto. Não parece mais que você está em uma montanha-russa, você se sente em casa.

Você não dorme enrolado no outro toda noite, com as pernas coladas uma na outra de uma maneira que fica difícil dizer onde começa a sua e a deles termina.

No entanto, você dorme confortavelmente. Lado a lado, as vezes com o rosto virado em direções opostas. Mas toda noite, você se vê se arrastando pra trás na cama só pra encostar neles. Você se aperta entre o braço deles, ou acaricia o cabelo deles enquanto eles caem no sono. Existem noites em que meu namorado, dormindo, estica o braço e me envolve e me puxa pra perto dele, como uma criança faz com seu cobertor favorito e que não dorme sem.

Nas primeiras horas da manhã, antes do dia amanhecer e quando o mundo inteiro é azul e você enxerga com olhos embaçados, você se joga no peito deles e sente seu cheiro antes de adormecer mais uma vez.

Beijos já não são sempre românticos e quentes. Mas existem muito mais deles agora. Tem o beijo gelado quando vocês estão tomando sorvete no verão, e beijos grudentos na hora do café da manhã enquanto comem panquecas.  Existem os beijos *estou saindo agora*, e “mais um beijo antes de você ir” beijos. Existem beijos dorminhocos pela manhã antes do trabalho, quando você não lembra do alarme tocando mas sim da pressão dos lábios deles nos seus e é isso que te acordou naquele dia.

Existem beijos antes de dormir, e, “você é tão linda com as coisas que faz” beijos. Existem beijos porque você trata animais de uma maneira carinhosa, e “estou tão feliz de estar com você e não com outra pessoa” beijos. Existem beijos rápidos nos corredores do mercadinho, quando o mundo tá muito barulhento e vocês gravitam na orbita um do outro, quando em vez de ter seu espaço próprio você tem o espaço de vocês dois. E você se enrola no peito deles pra ocupar menos área juntos.

Vocês já não mandam mensagens de texto com confissões de amor e carinho como costumavam, porque isso já é um fato agora e vocês passaram a mandar piadas internas sobre a vida que construíram juntos. Vocês compartilham olhares de irritação e admiração em público, seu mundinho particular contra o mundo lá de fora.

Relacionamentos não são sempre um conto de fadas. Não são sempre sempre fogos de artifício e faíscas, ao menos, não depois do começo.

Mas eles são como um ritmo musical lento com um ruído de amor e carinho. Não é uma chama na sua alma, mas no seu coração, te mantendo quente e confortável. Te confortando enquanto você cai devagarinho no sono.

E eu amo isso.

Foto: Theo Gosselin.

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